Dos amores que tive na vida



Dos amores que tive na vida, alguns deixaram saudades e aprendizados.

Ao longo dos meus 35 anos, tive muitos amores.  Mas poucos foram realmente importantes para mim .

Por discrição, não citarei seus nomes.



O primeiro. Um endredado (usava dreads)militante e mega inteligente, que apareceu um ano depois de minha separação. Sim, eu já fui casada (período que minha irmã chama “carinhosamente” de 13 anos de escravidão – conto isso em outro texto).

Até então, não havia me relacionado com outro homem. Acreditava que não encontraria ninguém, por "n" motivos. 

Mas tudo isso mudaria no dia 06 de junho de 20... (um ano qualquer! rs), ao término  de um dos inúmeros cursos  que fiz sobre cultura afro-brasileira.
Aquele homem, negro lindo endredado, que eu acreditava que jamais teria olhos para mim, me convidou para "tomar um vinho". Meu coração quase saiu pela boca, nem pensei duas vezes. Que maluca.

Foi a primeira vez que um homem tocou em meus cabelos crespos, como cabelos crespos. Seus dreads em meu pescoço exalavam um perfume adocicado. 

Esse homem foi quem me apresentou à   Oxum. (*Orixá dona dos rios e cachoeiras. Os filhos de Oxum, carregam graciosidade, sensualidade  e elegância. Também a paixão por jóias e perfumes. Sua cor é o amarelo e tem como símbolo, um espelho).

Depois desse encontro, me senti mulher novamente; me senti de fato uma mulher negra.

Eu tinha ciência de que seria apenas um encontro, somente aquela vez. Não mais nos veríamos como dois "amantes" (mas isso pra mim já não era importante). Seriamos apenas, dois militantes na mesma causa.





O segundo? Ah o segundo. Um carioca que conheci  em Minas Gerais, em um Hotel Fazenda, durante as férias de julho.

Chamo esse relacionamento de “romance de inverno” (só durou o inverno rs). Um romance regado à muito vinho, elogios e distância.  Foi lindo, e eterno enquanto durou.
   
O único homem branco que me via como mulher negra, no sentido mais belo e correto.
Para ele, eu era perfeita. Parava no meio do caminho para me admirar e dizia: - Você é a negra mais linda que já vi (ele sempre fazia isso). 

E eu adorava ouvi-lo dizer o quanto gostava dos projetos que eu fazia, de sua admiração por minha ações sociais.

Mas resolvemos fazer como os jogadores de futebol. Terminamos no auge do relacionamento. Sem brigas ou algo parecido. 

 Esse carioca veio, cumpriu sua missão e voltou pro Rio.




3 comentários:

  1. ...Quanto de mim,sem mim...
    Ah q lindo..momentos,vivência

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  2. Adorei esse post! O texto parece um bate papo de amigas, dá vontade de ouvir mais sobre seus amores. Muito bonito seu jeito de contar :)

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