Eliana Lee


África.
Continente que é um misto de habitantes, culturas, economias e história. Terra de todas as gentes, o início de tudo, a Terra-Mãe. Aparecimento do primeiro homem. Porque Darwin descobriu, porque os orixás quiseram assim. Local da primeira dança, do primeiro choro de criança, do primeiro tambor a tocar.
Terra-Mãe que se doou, que se espalhou mundo a fora além-mar. E deixou em cada filho habitante da Terra um muito de si. Muito de vocabulário, muito de comida, muito de música, muito de crença, muito de cor de pele.
E como uma mãe, doou-se por inteiro e por tantas vezes se vê sozinha. O continente tratado com desdém por aqueles que esqueceram sua origem, apagaram seu passado. Que não reconheceram no espelho o reflexo de um filho da terra aquecida pelo sol e pelo soar da natureza que grita. Uma mãe esquecida em meio à pobreza, em meio à fome, à doença que contagia, agride e mata.
Mas ainda assim uma mãe tão bonita!Uma mãe que contrasta! Que permanece ali: no cheiro dos temperos, na dança dos terreiros, no chão seco da savana - ardida pelo ecoar do urro de um leão. No sorriso branco da menina negra. Ela sorri porque sabe que é filha livre da terra de Mandela. Terra grande que é mãe de todos os outros lugares do planeta. Sorri porque nasceu na Angola a mulher eleita mais bonita do mundo. Porque do outro lado do oceano o político mais poderoso é negro. E sorri porque tem na clareza do seu dia a esperança que os tempos ruins passarão, que o preconceito racial não será mais ouvido, que a escravidão é mesmo passado.
Recebe, Continente-Mãe, Mãe-Terra, berço nosso, essa homenagem. De quem sabe que é descendente de teu seio e há milhões de anos carrega tua herança estampada em cada célula. Marca indelével que nem mesmo os filhos que te esqueceram conseguirão apagar.


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